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A desvalorização da lira turca e as lições para os investidores brasileiros

25.Março.2021

Na última segunda-feira (22), a lira turca despencou 15%, após o presidente Tayyip Erdogan demitir o presidente do Banco Central do país no fim de semana. Naci Agbal foi retirado do cargo dois dias depois de uma alta de dois pontos percentuais na taxa de juros para conter a inflação, o que desagradou a autoridade máxima do país.

Esse tipo de intervenção política em áreas técnicas, como o Banco Central, costuma ser desastroso e afastar os investidores, provocando fortes reações do mercado. Afinal de contas, quem investe precisa ter clareza nas regras do jogo e confiança de que elas serão seguidas à risca, independentemente da vontade de uma única pessoa ou grupo político.

No Brasil, alguns acontecimentos recentes provocaram a mesma reação de dúvida e desconfiança do mercado, deixando clara a ingerência do governo em algumas áreas e a necessidade dos investidores se protegerem deste tipo de risco.

Um deles foi a mudança na política de preços anunciada pela Petrobras no início de fevereiro, que provocou reações negativas no mercado e gerou desconfianças em relação à ingerência do governo sobre a companhia, levando analistas e investidores a questionarem a decisão.

Além disso, poucas semanas depois o presidente Jair Bolsonaro decidiu trocar o comando da petrolífera, substituindo o executivo Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, primeiro militar a assumir o comando da estatal. A notícia caiu como uma bomba no mercado, fazendo com que o dólar disparasse e as ações da estatal desabassem mais de 20% no pregão seguinte ao anúncio.

Para Richard Rytenband, economista e CEO da Convex Research, o que aconteceu na Turquia e a forte desvalorização da moeda no país ressaltam a importância dos investidores brasileiros se protegerem do chamado Risco-Brasil.

“O caso da Turquia é mais um exemplo da importância de lidar com o chamado risco-país e não cair em narrativas. Há pouco tempo, diante do aumento das taxas de juros por lá, muitos analistas disseram que a tendência da lira era se valorizar, ainda mais com a vitória do Biden. No entanto, na última segunda-feira, os turcos acordaram ainda mais pobres em termos globais. Um ponto importante é que, no geral, as moedas emergentes têm emitido sinais de vulnerabilidade, divergindo da narrativa atual. Por isso não negligencie o risco Brasil”, aconselhou o economista.

O risco-país é um conceito econômico que mostra que mudanças no ambiente de negócios de um determinado país impacta negativamente a sua atratividade perante os investidores e, consequentemente, afeta o valor dos ativos.

Para se proteger deste tipo de risco, é fundamental ter pelo menos uma parte do portfólio em ativos dolarizados para que o investidor mantenha seu poder de compra global. Afinal, nunca se esqueça de que uma boa parte do que consumimos tem influência do dólar em seu preço, sem contar nos produtos que adquirimos e que são diretamente importados.

Por isso, fortes desvalorizações da moeda podem ter impacto significativo na sua vida se você não tiver uma proteção adequada por meio dos investimentos.

Por fim, é importante deixar claro que investir em ativos negociados no exterior, principalmente nos Estados Unidos, nunca foi tão simples. Se antes a parte operacional era um entrave, atualmente, existem corretoras que possibilitam acesso ao mercado norte-americano de maneira descomplicada e rápida.

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