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A valorização do dólar e a fragilidade das moedas emergentes

29.Setembro.2020

As fragilidades na economia brasileira, que se acentuaram em 2020 por conta da pandemia de Covid-19, vem se refletindo em um movimento bastante expressivo: a alta do dólar no ano. De janeiro até agora, a moeda norte americana já se valorizou mais de 40% ante o real, passando de R$ 4 no começo do ano para os atuais R$ 5,63 (cotação desta segunda-feira, 28 de setembro).

Mas não é apenas o Brasil que tem visto sua moeda perder valor diante do dólar. Em cenários de crise e grandes incertezas, como o que vivemos agora, a fragilidade das moedas de países emergentes fica ainda mais acentuada. Afinal, os investidores tendem a “fugir” de países com muita instabilidade política e econômica e se refugiar em moedas de economias mais estáveis, caso do dólar norte-americano.

Isso explica por que boa parte dos países emergentes vem enfrentando fortes desvalorizações cambiais em 2020. Na Turquia, a lira já desabou mais de 30% ante o dólar em 2020. O país vem passando por uma complicada situação financeira, com taxas de juros reais negativas e forte inflação associadas à desvalorização da moeda.

Na Rússia, o rublo também perdeu mais de 30% de valor em relação ao dólar. Já na África do Sul, a desvalorização rand Sul-Africano ultrapassa os 23% este ano e no México, a moeda local (peso mexicano) perdeu 19,5% de valor diante do dólar apenas em 2020.

A importância de ter exposição ao dólar

Imagine um investidor que aplicou apenas em títulos de renda fixa e em ações de empresas brasileiras e obteve um retorno de 15% em 2020. Aparentemente essa pessoa teve um ótimo rendimento e só tem a comemorar o seu ganho de capital, certo?

Pois é, não é bem assim. Neste caso, o investidor ignorou um aspecto fundamental na construção de um portfólio equilibrado, que é ter exposição a moedas fortes, como o dólar, para proteger seu patrimônio.

Só este ano, o real já se desvalorizou mais de 40% em relação à moeda norte-americana. Logo, por mais que um investidor tenha obtido um rendimento de 15% com ações nacionais e renda fixa, ele “empobreceu” em termos globais, levando em consideração a depreciação do real em relação ao dólar.

E sabe porque isso é importante? Uma boa parte do que consumimos tem influência do dólar em seu preço, sem contar nos produtos que compramos e que são diretamente importados. Por isso, não há como negar a importância da exposição ao dólar na preservação do patrimônio. Além disso, as viagens internacionais também ficam mais caras e vão pesar muito mais no seu orçamento caso você não tenha se protegido deste aumento expressivo.

“Se você quer fazer gerenciamento adequado de patrimônio precisa ter o domínio completo do cenário-base e das classes de ativos, incluindo o dólar”, afirma Richard Rytenband, economista e CEO da Convex Research.

Desde meados de 2019, quando o dólar estava abaixo dos R$ 3,80, a Convex vem se beneficiando da alta da moeda em seus portfólios recomendados, mesmo na contramão de boa parte do mercado - naquela época muitos gestores de fundos achavam que o real funcionaria como um hedge para a crise global. 

Ainda que a valorização da moeda norte-americana tenha sido expressiva, é importante ressaltar que a exposição da Convex Research teve como objetivo principal a preservação do patrimônio diante de um ciclo de depreciação do real que estava por vir.

“Eu já perdi as contas de quantas vezes ouvi que é impossível se expor da forma correta ao dólar e que não temos como antecipar suas grandes tendências. Realmente não há como prever nada no mercado, mas o que a maioria não entende é que é possível participar dos grandes ciclos de desvalorização/valorização com base em uma abordagem não preditiva, ou seja, apenas com base no estado atual do sistema (a dinâmica dos fundamentos)”, conclui Rytenband.

 

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