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Bitcoin não é bolha e uso de criptomoedas está no início, diz especialista da Singularity University

19.Março.2021

A disparada do preço do Bitcoin, que se valorizou quase 1000% em dólares nos últimos 12 meses, não tem relação com uma bolha financeira, na opinião da especialista em blockchain Anne Connelly, da Singularity University do Vale do Silício. Em entrevista concedida à Época Negócios, ela destacou que a utilização de criptomoedas está apenas no início e que o Bitcoin vai funcionar como uma “agulha” para estourar a bolha que se forma no mercado financeiro.

"As pessoas gostam de descrever o bitcoin como uma bolha. Mas o bitcoin é a agulha. A agulha que vai estourar a bolha das finanças tradicionais e das moedas tradicionais. Acho que a cotação inclusive está subvalorizada, se considerados os benefícios que ela pode trazer. O mundo merece ter alternativas — e é a primeira vez na história em que as pessoas poderão escolher algo diferente de uma moeda local como instrumento financeiro. Não é uma bolha. É o começo da adoção em massa das criptomoedas”, afirmou Anne.

Para ela, o futuro das moedas passa pela desintermediação do governo no sistema financeiro e a separação entre dinheiro e Estado.  A especialista acredita que os governos terão menos mecanismos de controle das suas economias, como as políticas monetárias para ajustar a inflação.

 “Por outro lado, a ascensão das criptomoedas vai oferecer uma opção às pessoas. E a concorrência forçará bancos centrais a fazerem um bom trabalho para manter as moedas locais mais fortes. Nos próximos anos, as pessoas poderão comprar leite e pão com criptomoedas. É questão de tempo”, afirma Anne.

 Ela também destacou a importância das criptomoedas em economias instáveis por garantirem que nenhum governo poderá gerar inflação para pagar as próprias dívidas.

 Além disso, Anne destacou que o dinheiro virtual também pode ser uma alternativa melhor em termos de valor de reserva em relação ao ouro, que não pode ser enviado digitalmente. “Se alguém precisa enviar dinheiro para a família em outros países, as transações digitais podem ser feitas em questão de segundos. Totalmente grátis”, afirma.

 Em relação ao sistema bancário, a especialista frisou que será necessária uma transformação radical se os bancos quiserem continuar relevantes.  “É um setor que já vem sofrendo uma ruptura por novos concorrentes nativos digitais. Clientes mais jovens não querem ir a uma agência bancária. Ao mesmo tempo, com o avanço das criptomoedas, também surge um setor de finanças descentralizadas. As pessoas começam a fazer nesse universo o que fazem no sistema tradicional, como receber juros em aplicações financeiras. Os bancos serão os primeiros a sofrer se não embarcarem rapidamente nessas transformações”, disse Anne.

 
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