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Concentração de renda aumentou com ações de bancos centrais para conter crise

25.Junho.2021

A desigualdade social vem aumentando cada vez mais em todo o mundo, como mostra um estudo realizado pelo banco de investimentos Credit Suisse.

De acordo com o relatório sobre riqueza global produzido pelo banco suíço, as pessoas mais abastadas estão vendo sua riqueza aumentar ainda mais. Já as famílias que possuem menos recursos estão ficando cada vez mais pobres.

A parcela da riqueza detida pelo 1% mais rico em nações como Estados Unidos, China, Brasil e Índia saltou com as consequências das ações de governos e bancos centrais nos últimos meses.

Na avaliação do Credit Suisse, isso reflete as medidas adotadas pelos governos para tentar evitar uma desaceleração ainda mais forte da economia devido à pandemia de Covid-19.

“Os grupos mais ricos foram relativamente pouco afetados pela redução no nível geral de atividade econômica e, ainda, se beneficiaram com o impacto da queda de juros na valorização das ações e dos preços de imóveis”, avalia o relatório.

Segundo o levantamento, a riqueza mundial foi estimada em US$ 418 trilhões no fim de 2020, o que significa uma alta de 7,4% em relação ao último relatório.

“O mundo está vivendo o pior tipo de desigualdade: aquela que não é natural, fruto de intervencionismo estatal, como estímulos monetários sem precedentes, que corroem o poder de compra da moeda e atingem em cheio as classes menos favorecidas ao mesmo tempo que distorcem o preço dos ativos”, afirma Richard Rytenband, CEO da Convex Research.

Brasil

No Brasil, a concentração da riqueza também está cada vez maior. Segundo o Credit Suisse, 49,6% de toda riqueza do país está concentrado nas mãos de 1% da população mais rica.

Entre os 10 países que foram analisados no relatório, somente a Rússia tem uma concentração de riqueza maior do que o Brasil.

No país presidido por Vladimir Putin, o 1% mais rico detém 58,2% da renda nacional.

A inflação

Tanto o Brasil quanto outros países vêm sofrendo os impactos das medidas adotadas pelos bancos centrais durante a pandemia. O principal deles pode ser visto no forte aumento da inflação, que contribui para fomentar ainda mais a concentração de renda.

Por aqui, o IPCA (índice que mede a inflação oficial do país) registrou alta de 8,06% em 12 meses, muito acima da meta do governo, que é de no máximo 5,25%.

Já o IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) disparou mais de 4% em maio e já acumula alta de 37% no último ano, segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas). 

Nos EUA e em outros países a situação não é diferente e os preços de serviços e produtos apresentaram altas generalizadas nos últimos meses.

No mês passado, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos 0,6% e 5% na base anual, de acordo com dados do Bureau of Labor Statistics (BLS).  

A inflação é provocada quando a oferta de moeda na economia aumenta sem que a quantidade de produtos e serviços cresça na mesma proporção.

Com a pandemia de covid-19, os governos do mundo todo, incluindo o Brasil, injetaram muito dinheiro na economia para tentar conter a crise provocada pelo avanço do vírus, causando o aumento da inflação de preços.

“A inflação de preços é um dos mecanismos mais nefastos de concentração de renda que existem. Ela atinge em cheio as classes menos favorecidas que não têm como se proteger”, afirma Rytenband.

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