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Demora das vacinas, risco fiscal e cenário político podem abalar a frágil retomada econômica, diz FGV

18.Março.2021

Possíveis atrasos no processo de imunização da população, a piora na percepção do risco fiscal e os desafios do cenário político são alguns fatores que podem abalar a frágil retomada econômica brasileira. A afirmação consta no Boletim Macro publicado pela Fundação Getúlio Vargas.

“O processo de vacinação da população terá andamento ao longo do primeiro semestre, mas a pandemia ainda não estará totalmente controlada nesse período. Dessa forma, o setor de serviços deverá permanecer deteriorado, em especial os serviços pessoais, transportes e serviços da administração pública, aqueles que são mais prejudicados pela política de distanciamento social”, diz um trecho assinado pelas economistas Silvia Matos e Luana Miranda.

A FGV destaca que os índices de confiança mostram uma tendência de queda na expectativa de retomada econômica, tanto por empresários quanto por consumidores. Em janeiro, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 2,2 pontos, para 93,0 pontos, e o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 2,7 pontos, para 75,8 pontos.

“O resultado se torna ainda mais preocupante porque a queda, que nos meses anteriores vinha sendo conduzida por uma calibragem de expectativas, agora passa a refletir uma efetiva piora da situação corrente”, apontam os economistas Rodolpho Tobler e Viviane Seda Bittencourt.

Em relação à inflação, o boletim destaca que os preços de commodities importantes para a atividade produtiva não param de subir. Segundo o IPA/FGV, as matérias-primas brutas acumulam alta de 75,2% nos últimos 12 meses.

O encarecimento de insumos básicos se iniciou no segundo semestre de 2020, quando ocorreram fortes desvalorizações do real, em conjunto com aumentos mais expressivos dos preços em dólar de commodities importantes. “Com tamanha pressão inflacionária acumulada entre as matérias-primas, torna-se cada vez menos provável que não ocorram repasses para bens finais, último estágio de processamento antes de o produto ser disponibilizado ao mercado consumidor”, continuam os economistas.

Segundo a entidade, as pressões inflacionárias podem ser percebidas ao se acompanhar o IPCA decomposto por grupos especiais. “Com a inflação se espalhando entre os grupos do IPCA, o que deve continuar por todo o primeiro semestre de 2021, a taxa acumulada em 12 meses deve acelerar e se aproximar de 6% em junho de 2021”.

Em relação à situação fiscal, a FGV destaca que os estados conseguiram realizar superávit primário de R$ 65 bilhões em 2020, graças ao crescimento da receita tributária no segundo semestre, o socorro financeiro da União e a queda real da despesa primária na comparação com 2019.

“Há que ter cautela, no entanto, com conclusões sobre esse fôlego momentâneo dos estados. Em 2021, não está previsto socorro excepcional da União aos entes, o impacto de um eventual auxílio emergencial em consumo e receita deverá ser menor que em 2020 e a recuperação da atividade dependerá da vacinação”, alertam os economistas da FGV.

No ano passado,as contas do Governo Central – Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – registraram um resultado negativo recorde de R$ 743,087 bilhões.

 
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