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Dívida global aumentou US$ 15 trilhões com pandemia; entenda as consequências

23.Novembro.2020

Os estímulos econômicos realizados pelos bancos centrais para combater os efeitos da pandemia de Covid-19 aumentaram a dívida global em US$ 15 trilhões em 2020. De acordo com dados do Instituto Internacional de Finanças (IFF, na sigla em inglês) divulgados na última semana, a soma das dívidas de todos os países atingiu o recorde de US$ 272 trilhões no final do terceiro trimestre.

Até o final do ano, a estimativa do IFF é que a dívida atinja os US$ 277 trilhões, o que representa 365% do PIB (Produto Interno bruto) mundial. Sem considerar a dívida do setor financeiro, o montante deve atingir US$ 210 trilhões até dezembro de 2020, equivalente a 274% do PIB global.

 Já levando em conta apenas os países emergentes, e também excluindo o setor financeiro, a dívida já ultrapassou a marca de 200% do PIB.

Entre as consequências do aumento do endividamento está a crise de liquidez, que pode evoluir e acabar se transformando em uma crise de solvência.  Na crise de liquidez, os governos, principalmente de países emergentes, aumentam de forma expressiva seu endividamento, demandando mais dólares para honrar seus compromissos, o que provoca a escassez da moeda pelo mundo.

O estágio seguinte é a crise de solvência, quando os governos perdem a capacidade de arcar com seus compromissos no médio e no longo prazo. Para especialistas, esse risco é especialmente preocupante entre os emergentes. Isso porque muitos enfrentam graves crises fiscais e perderam boa parte das receitas este ano, tornando o financiamento da dívida muito mais arriscado.

“As preocupações com o aumento dos níveis da dívida são fortes. O crescimento significativo do volume da dívida em aberto coloca nosso foco nas necessidades de refinanciamento desses países, especialmente em mercados emergentes”, afirmou o diretor de pesquisa de sustentabilidade do IFF, Emre Tiftik.

No Brasil, a dívida pública vem aumentando de maneira expressiva e a situação fiscal é maior preocupação do mercado atualmente. A Dívida Bruta é um dos parâmetros utilizados pelas agências de classificação de risco para avaliar a solvência de uma economia.  Isso quer dizer que quanto maior for a dívida, maior o risco de um calote e menor a nota atribuída ao país pelas agências de risco.

Com a piora no endividamento e uma situação fiscal cada vez mais deteriorada, o governo vem tendo dificuldade em comercializar os títulos públicos com as taxas atuais, já que o mercado passa e exigir mais prêmio para correr um risco alto.

Países desenvolvidos e a estagflação

Os mercados desenvolvidos também lutam contra o lento crescimento de suas economias e o forte aumento do endividamento. Com taxas de juros cada vez mais baixas e muito dinheiro em circulação, o risco de inflação vem crescendo e preocupando as autoridades.

“No longo prazo, o temor é de que os mercados maduros comecem a sofrer com a estagflação. Isso é um grande problema”, afirmou a diretora de iniciativas de política global do IIF, Sonja Gibbs, em entrevista à CNBC.

A estagflação acontece quando a economia de um país deixa de crescer, ou até mesmo se encolhe, mas ao mesmo tempo os preços de produtos e serviços aumentam, provocando inflação. Neste caso, a população sofre duplamente, tanto com encarecimento do custo de vida - provocado pela inflação - como com a diminuição de postos de trabalho e redução de salários, por conta do baixo crescimento econômico.

 

 

 

 
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