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Eleições EUA: cuidado com as narrativas, se atente aos sinais

10.Novembro.2020

A primeira impressão que se tem da reação dos mercados acionários globais após a imprensa americana declarar a vitória de Joe Biden nesta segunda-feira (9) foi de otimismo. No Brasil, o Ibovespa também registrou ganhos  no primeiro pregão após o resultado das eleições. Mas, um questionamento segue presente entre os investidores mais experientes: será que esse otimismo apresentado pelos mercados é compatível com o cenário atual e se manterá no longo prazo?

Para responder a esse questionamento, é importante se atentar para alguns pontos. Em primeiro lugar, a onda de otimismo com a possível vitória de Biden contrasta com os fundamentos da economia norte-americana, ainda fortemente impactada pela pandemia de Covid-19, além de uma iminente segunda onda da doença no país.

“O percentual de hospitalizações está se aproximando da máxima e governadores de diversos estados têm falado em novas rodadas de medidas de distanciamento social. Além disso está fora do radar, acreditamos que o mercado acionário norte-americano segue caro em termos de valoração”, afimar o economista e CEO da Convex Research, Richard Rytenband.

Além disso, diferente do que muitos apontam, medidas protecionistas não são exclusividade do governo de Donald Trump. Muito pelo contrário, durante o mandato de Barack Obama (de 2009 até o final de 2016), cuja vice-presidência era ocupada pelo próprio Joe Biden, o protecionismo deu as caras.

“Existe uma narrativa de que com Joe Biden no governo haverá menos protecionismo. Mas no governo Obama, quando Biden era vice, isso não aconteceu”, diz Rytenband.

Logo no início de seu governo, em 2009, Obama foi criticado por uma cláusula do pacote de recuperação econômica proposto ao Congresso. Naquela época, os EUA estavam no meio da grave crise financeira iniciada em 2008 e o governo democrata justificou que estaria tentando “blindar” a economia com uma cláusula conhecida como “Buy American” (compre produtos americanos, em tradução livre).

O texto assegurava que apenas ferro, aço e manufaturados produzidos nos Estados Unidos fossem usados em projetos de construção contemplados pelo pacote.

Mesmo após as críticas de vários líderes mundiais, o então vice-presidente Joe Biden declarou que considerava legítimo a cláusula "Buy American" estivesse no plano enviado ao Congresso.

Outro episódio controverso no governo Obama foi a imposição de uma tarifa de importação de 35% sobre pneus importados da China. À época, os fabricantes norte-americanos reclamavam da concorrência Chinesa, o que motivou a criação da tarifa pelo governo.

No entanto, com a diminuição da importação, os fabricantes nacionais ficaram livres para aumentar preços. Segundo estudos econômicos, o impacto chegou a US$ 1,1 bilhão no bolso dos próprios americanos, que passaram a pagar mais caro pelo produto nacional. 

Dólar forte

Mais um ponto de atenção diz respeito ao dólar. Apesar de muitos acharem que com a vitória de Biden há uma tendência de que a moeda norte-americana perca força, o histórico durante o governo de Barack Obama mostra que isso não aconteceu.

No início do mandato do democrata, no começo de 2009, o dólar estava na faixa dos R$ 2,30, mas chegou a bater os R$ 4 no começo de 2016, uma alta de mais de 70% em sete anos, como é possível observar no gráfico abaixo.

 

Fonte: Trading View

 

Para quem atua no mercado de capitais, é primordial  distinguir o que é fato e o que é narrativa, por isso se torna tão importante analisar as informações de forma criteriosa e sem paixões. Tendo atenção a estas questões, é importante que o investidor se mantenha atento e entenda que muitas fragilidades presentes no mercado e na economia não devem se dissipar tão rapidamente, mesmo com a possível mudança de comando nos EUA. 

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