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Estamos vivendo uma bolha de crédito? Entenda as evidências

07.Abril.2021

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro aumentou para 56,36% em dezembro de 2020, de acordo com dados do Banco Central. O número considera todas as dívidas das famílias com o SFN (Sistema Financeiro Nacional), incluindo financiamentos imobiliários, em relação à renda acumulada dos últimos 12 meses.

Isso quer dizer que, na média, se uma família obteve renda acumulada de R$ 100 mil nos últimos 12 meses, mais da metade desse valor (equivalente a R$ 56.360) estava comprometido com dívidas.

Segundo o BC, em janeiro de 2020, pouco antes do início da pandemia de Covid-19, o endividamento das famílias estava em 45,19%. Em todos os meses seguintes houve alta, totalizando um crescimento de 11,17 pontos percentuais no acumulado do ano.

Os últimos dados sobre o endividamento foram divulgados pelo Banco Central apenas no final de março, com um atraso de mais de três meses - como acontece em boa parte das comunicações do governo.

Mas os indicadores de alta frequência utilizados pela Convex Research, capazes de identificar movimentos da economia praticamente em tempo real, já antecipam que os dados referentes ao endividamento continuam perigosamente elevados. 

É importante destacar que o nível de endividamento da população é um dado importante na avaliação dos níveis de fragilidade da economia de um país. Quanto mais endividadas estiverem as famílias, maior é a tendência de que a economia levará mais tempo para se recompor de uma grande crise, por exemplo.

Pior do que no período entre 2012 a 2014

Richard Rytenband, economista e CEO da Convex Research, lembra que entre 2012 e 2014, durante a bolha de crédito que se instalou no país, essa métrica de endividamento atingiu no máximo a 48,68%.Ele acrescenta que mesmo se excluirmos o crédito habitacional, o endividamento das famílias está na máxima histórica em 34,7% da renda anual.

“Este é o resultado dos incentivos de taxas de juros artificialmente baixas e a narrativa de que assim elas permaneceriam por muito tempo. Agora, estamos diante de um novo ciclo de aperto monetário, com o Banco Central muito atrasado em relação ao combate à inflação e com a política monetária perdendo potência, o tende a tornar o ajuste mais intenso e abrupto. E esse pode ser um gatilho para revelar a fragilidade deste endividamento”, afirma o economista.

Ele acrescenta que a economia de um país está em uma rota sustentável quando a renda das pessoas sobe e assim elas podem consumir mais. Este cenário é diferente de aumentar o consumo via endividamento, sem aumento de renda. 

“Neste caso, estamos diante de um movimento artificial e que será́ uma mera questão de tempo para a realidade vir à tona”, alerta Rytenband.

 
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