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Índice da miséria, que mede desemprego e inflação, bate máxima no Brasil

25.Maio.2021

(texto atualizado em 28/05 para inclusão de dados recentes)

O desemprego e a inflação são problemas que assolam países, aumentando os níveis de pobreza e exacerbando as desigualdades sociais.  A soma dos dois é calculada pela taxa desconforto econômico, também chamada de índice de miséria, criado pelo economista Arthur Okun (1928-1980) na década de 1970.

Segundo Okun, o desconforto econômico da população tende a se originar principalmente após a alta desses dois indicadores, pois eles afetam diretamente a capacidade financeira das pessoas e impactam sua qualidade de vida.

No Brasil, o índice da miséria cresceu de forma significativa nos últimos meses. De acordo com um gráfico disponibilizado pelo economista Richard Rytenband, CEO da Convex Research, a curva se acentua principalmente após o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020 e atinge o pico em maio de 2021.

“Atingimos o recorde da série histórica, superando o pior momento da recessão de 2015”, alerta o CEO da Convex. (veja o gráfico abaixo)

Números oficiais de desemprego e inflação

O número de desempregados no Brasil chegou a 14,8 milhões no primeiro trimestre de 2021, o maior contingente desde 2012, início da série histórica calculada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado representa um acréscimo de 880 mil pessoas desocupadas em relação ao último trimestre de 2020, quando a desocupação foi calculada em 14 milhões de pessoas.

A população que desistiu de procurar uma oportunidade no mercado de trabalho também atingiu patamar recorde de 6 milhões de pessoas, o que mostra um crescimento significativo de 25,1% em relação ao mesmo período de 2020. 

Ao mesmo tempo que o desemprego no país só aumenta, a população enfrenta um outro problema: a inflação também não para de subir.

O IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) acumula alta de 37,04% em 12 meses, de acordo com dados da FGV (Fundação Getulio Vargas). Apenas no mês de maio, a variação do indicador atingiu 14,10%.

Já o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do país no varejo, acumula alta de 6,76% em 12 meses até abril, acima do teto da meta estipulado pelo governo. 

Segundo a FGV, as matérias-primas mais caras podem intensificar ainda mais a alta dos preços ao consumidor.

“A aceleração do IPA/FGV realimenta as chances de repasse para o IPCA, cuja expectativa para 2021 não para de avançar, impulsionado pelas pressões inflacionárias trazidas por preços administrados, bens duráveis e alimentos. Ainda no final do primeiro semestre de 2021, a taxa em 12 meses do IPCA poderá se aproximar de 8%, o maior patamar desde setembro de 2016, quando chegou a 8,48%”, alerta a entidade, em relatório.

 

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