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Inflação global deve continuar em alta, diz FGV

24.Maio.2021

A inflação global deve continuar em tendência de alta nos próximos meses por conta do choque de oferta, na opinião dos economistas da FGV (Fundação Getulio Vargas).  

“Houve forte alta na demanda mundial por bens. Como há restrições de oferta para alguns produtos, além de efeitos climáticos adversos, os preços de alimentos e de bens industriais estão muito pressionados. Apenas a inflação de serviços continua bem-comportada. Prevemos que a inflação global seguirá pressionada nos próximos meses, devido aos gargalos de oferta e à elevada demanda”, disseram os economistas no Relatório Boletim Macro, publicado pela instituição.

A inflação norte-americana em abril ficou em 0,8%, o maior resultado para o mês em 12 anos. O número veio acima das expectativas do mercado, que previa inflação de 0,2%. Em 12 meses, a inflação atingiu 4,16% no país.

“Apareceu uma inflação de serviços que não estava na projeção de muitos analistas. Serviços exclusive aqueles ligados à energia subiram 0,54% em abril e 2,48% em 12 meses. Uma série de serviços foi desorganizada com a epidemia e a reconstrução da oferta levará algum tempo”, aponta um trecho do relatório assinado pelo economista Samuel Pessôa.

Ele destaca que a retomada da economia, desde a brutal queda no segundo trimestre de 2020, tem produzido diversos choques de preços. “Um deles está associado à desorganização das cadeias produtivas ligadas aos bens, principalmente os de consumo durável, cujo consumo subiu muito com as quarentenas”, aponta.

Uma das preocupações dos especialistas é sobre como a perspectiva de maiores pressões inflacionárias nos países desenvolvidos pode se refletir em termos de política monetária e preços de ativos financeiros.

“Há, em especial, um receio de que a inflação mais alta leve à redução dos estímulos monetários nos EUA, movimento que no passado derrubou preços de ativos e trouxe volatilidade às economias emergentes”, afirma o relatório da FGV.

Incertezas sobre economia seguem altas

Na opinião dos economistas, os riscos para a economia brasileira seguem elevados diante da atual conjuntura de enfrentamento da pandemia de Covid-19. Eles destacam o declínio de novas internações e mortes provocadas pela pandemia nas últimas semanas, mas alertam para a possibilidade de novos aumentos.

“Há uma chance considerável de novo recrudescimento da pandemia, com o aumento nos números de infecções e de mortes diárias. (...) A vacinação dos grupos de maior risco pode levar à queda da relação entre mortes e casos, mas ainda é cedo para dizer em que grau, como sugere a experiência do Chile”, afirmam.

Eles ainda afirmam que mesmo que tenha havido certo declínio, a quantidade de óbitos continua muito alta.

“É importante ressaltar que ambas as estatísticas, de casos e de mortes, permanecem em níveis desconfortavelmente elevados. Outra preocupação é que atrasos na chegada de insumos importados para a produção de vacinas podem diminuir a velocidade de imunização”.

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