insights

Inflação nos EUA preocupa economistas

23.Março.2021

Com o forte aumento da oferta monetária em 2020, os preços passaram a dar inúmeros sinais de descontrole e o aumento da inflação vem preocupando economistas em vários países. Nos Estados Unidos, especialistas avaliam as pressões inflacionárias com cautela e afirmam que este ano o país pode enfrentar um aumento significativo nos preços.

Por lá, além de todos os estímulos monetários e fiscais concedidos em 2020, o Congresso já aprovou uma injeção de US$ 1,9 trilhão para estimular a economia e, além disso, a equipe de Joe Biden prepara um novo pacote que pode atingir US$ 3 trilhões, de acordo com informações do The New York Times.

“Muitos economistas argumentam que uma política fiscal muito expansionista, marcada por quase US$ 900 bilhões em dinheiro adicional para alívio da pandemia no final de dezembro, acrescida pelo pacote de resgate de US$ 1,9 trilhão do presidente Joe Biden, deverá provocar um aumento da inflação”, destacou a Reuters, em artigo publicado recentemente nos EUA.

O economista Samuel Pessôa, da FGV (Fundação Getulio Vargas), concorda que um pacote fiscal como este, que pode chegar a quase 10% do PIB (Produto Interno Bruto), representa um risco para a inflação no país.

 “O equilíbrio estrutural com carência de demanda agregada e estagnação secular não significa que a economia suporta sem inflação qualquer impulso de demanda. Em 2021 os limites da economia americana serão testados”, escreveu Pessoa em recente coluna da Folha de S.Paulo.

Richard Rytenband, economista e CEO da Convex Research, alerta que a inflação implícita de cinco anos nos EUA atingiu o maior patamar desde 2008, ano em que a crise financeira global teve início.

Com o cenário atual, de grande liquidez monetária e um choque de oferta na economia (por conta da menor disponibilidade de produtos e serviços), Rytenband afirma que a “tempestade perfeita” para a inflação segue em curso e deve ser avaliada com muita cautela pelos investidores.

“As primeiras consequências da inflação já começam a ser sentidas em diversas classes de ativos, como ações e bonds, além dos índices de preços ao produtor”, afirma o economista.

O índice de preços ao consumidor nos EUA, que mede a inflação oficial do país, aumentou 0,4% em fevereiro, após alta de 0,3% em janeiro.

Com o aumento da inflação, as taxas de juros americanas podem subir de forma abrupta, o que pode desestabilizar outros países com fragilidades macroeconômicas, caso do Brasil.

Mesmo grandes potências como a China já se preocupam. “A emissão em grande escala de títulos do Tesouro dos EUA e a política expansionista do Federal Reserve aumentaram o efeito de transbordamento das políticas macroeconômicas dos EUA para outras nações”, disse recentemente o ex-ministro das finanças da China, Lou Jiwei.

Para os investidores, é importante manter uma exposição adequada a ativos que funcionam como reserva de valor, caso do ouro e bitcoin, por exemplo. Além disso, quando o investidor possui uma carteira diversificada e convexa, com ativos que estão enquadrados na etapa correta do ciclo econômico, a tendência é que seu retorno de médio de longo prazo seja mais elevado e consistente, bem acima da perda de valor pela inflação.

 
Banner Insights

Convex

Receba nossa Newsletter

Este site usa cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência.
Ver Política de Privacidade