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Livro: Beating the Business Cycle

13.Julho.2021

E se fosse possível para um investidor, um CEO ou um pequeno empresário tomar decisões mais assertivas quanto a compra de estoque, aumento da capacidade produtiva da empresa ou uma nova aplicação? Esse é o intuito e o serviço prestado pelo Instituto de Pesquisa em Ciclo Econômico (ECRI), fundado por Lakshman Achuthan, autor do livro Beating the Business Cycle.

Com o avanço da tecnologia, aumento da produtividade e prosperidade das nações, a nossa relação com o trabalho e o dinheiro mudou, assim como os métodos para a construção de um edifício, veículos automotivos e até a capacidade de previsão do clima. No entanto, há algo que parece permanecer igual pelos últimos 100 anos – a incapacidade de se prever recessões. Todos os dias novas projeções para o PIB, câmbio e bolsa são feitas, e no final grande parte se revela inútil.

O interesse pelo estudo dos ciclos econômicos varia entre as diferentes gerações e momentos da história.  Na década de 1930 muitos se interessavam pelo tema por terem vivido o grande boost dos anos 20 e depois a grande depressão nos EUA que marcou a nossa história. Já no final da década de 1990, após 10 anos de crescimento sem inflação na economia americana e a nova atuação do FED (banco central americano), acreditava-se que este era um assunto do passado e que o caminho era de prosperidade e crescimento ininterruptos.

Por que os ciclos acontecem?

Desde 1790 os EUA tiveram 46 ciclos econômicos. Por que, então, esse é um assunto ignorado e, muitas vezes, desprezado? A resposta está na natureza humana. A economia é formada por pessoas, que tomam decisões baseadas na razão e na emoção. Os participantes do mercado possuem a memória curta e é comum que após anos de bonança haja a perda do controle e gestão de risco, resultando em comportamentos imprudentes. Além disso, os economistas continuam falhando em suas previsões ao abraçarem o passado como guia para prever o futuro – o que é sensato em boa parte do tempo, mas equivocado nos pontos de transição – tornando este assunto algo complexo para ser estudado e debatido.

Qual a razão da ciclicidade dos mercados?

Desde os tempos bíblicos de José existem ciclos de bonança e escassez na economia. Antigamente, eram os fatores externos como guerra, clima e praga que levavam a economia a um estado de expansão ou recessão. No entanto, foi o surgimento da economia baseada no papel moeda que inaugurou o padrão de ciclos econômicos. Em 1716, John Law convenceu o Rei da França a criar um banco com o fim de administrar a receita da nação e emitir moeda lastreada em ouro ou prata. A introdução do papel moeda facilitou o incremento do comércio e da especulação, redundando no incremento da prosperidade do país. Foi nesse período o ocorrido da famosa história em que o físico Isaac Newton perdeu seu dinheiro em uma bolha especulativa e disse “consigo calcular o movimento dos corpos celestiais, mas não a loucura dos homens”.

 Em seguida, a revolução industrial teve um papel fundamental naquilo que conhecemos como ciclos modernos. A economia industrializada exigia uma organização diferente da sociedade. O mercado de crédito se desenvolveu e os empresários podiam captar recursos na forma de emissão de dívidas ou financiamentos. A produção industrial exigiu o estabelecimento de uma cadeia de estoque entre os diferentes fornecedores ao longo da cadeia de suprimento. Esse processo naturalmente criou incertezas na produção e precificação dos bens, além do atraso na reação do mercado às altas e baixas da demanda e da economia.

No século 20 tivemos a transição para uma economia voltada ao setor de serviços, que antes era dominada pelo setor manufatureiro. Sem a necessidade de estoques, os participantes do setor de serviços conseguem responder mais rapidamente as variações no cenário econômico e essa parece ser uma das causas da suavização dos ciclos econômicos ao longo dos anos. Ademais, “estabilizadores automáticos”, como o seguro desemprego, foram criados com o intuito de se manter uma demanda mínima em períodos de insuficiência.

Diferença entre os Indicadores da atividade manufatureira e de serviços

Avaliando os Ciclos

O ciclo clássico de negócios leva anos e até décadas, como foi o caso da Alemanha após a 2º guerra mundial com 2 décadas seguidas de crescimento ou o Japão com uma única recessão entre 1954 e 1992. Entretanto, incorporados a esses ciclos mais longos, existem ciclos de tendência (ou taxa de crescimento) que ocorrem quando uma economia continua em expansão, mas com uma tendência de crescimento maior ou menor. Combinadas essas duas análises, temos um poderoso framework para monitorar a economia em tempo real.

Neste processo de investigação é essencial distinguirmos quais indicadores são válidos e relevantes para a tomada de decisão. O autor categoriza os indicadores econômicos em 3 grupos: coincidentes, atrasados e antecedentes. O primeiro grupo de indicadores acompanha o ritmo da economia, por isso eles coincidem com o ciclo de negócios; vendas ou produção de determinado bem são exemplos deste grupo. Já a segunda classe de indicadores atrasados (lagging) se movimenta ou é revelado após às mudanças na economia já terem acontecido, como é o PIB. O terceiro grupo de indicadores antecedentes (leading) é o mais importante e útil pois antecipa o ritmo da economia e possibilita decisões assertivas; são exemplos: margem de lucro, solicitação de crédito imobiliário, novas incorporações, inversão da curva de juros, novos pedidos de bens e média semanal de horas trabalhadas.

Indicadores antecendetes, coincidentes e atrasados  e sua relação com a economia

A nossa economia é um sistema complexo e, portanto, é preciso saber que o passado sozinho é altamente insuficiente para prever o futuro. O framework de análise é extenso e deve considerar os ciclos de negócio, inflação, desemprego e comércio exterior dentro do ciclo clássico mais longo. Foi a tentativa de simplificação das interações econômicas em 1970 a responsável pela confusão na mente dos especialistas. Aquele foi um período caracterizado por alta inflação e persistente declínio econômico, conhecido como “stagflation”, fenômeno antes então inimaginável, pois achava-se que a inflação sempre acompanharia o estado da economia.

Por que você deveria ler este livro?

Esta leitura é imprescindível se você pretende tomar decisões precisas, seja para mudar de carreira, abrir uma nova empresa ou alocar o patrimônio de sua família. Entender o funcionamento dos ciclos e, especialmente, como monitorar e explorá-lo lhe trará segurança e grandes resultados.  Para a maioria dos indivíduos e pequenos negócios, não é necessário um painel de controle com indicadores sofisticado como pode parecer, apenas o entendimento da ciclicidade do mercado e do seu setor já pode fazer toda a diferença! 

 

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