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O erro de usar a Selic como custo de oportunidade de ativos de longo prazo

14.Setembro.2020

Um erro básico em finanças é a utilização da Selic (taxa básica de juros) como referência de custo de oportunidade para ativos de longo prazo, como fundos imobiliários ou ações.

O custo de oportunidade é um conceito muito importante. Em uma definição resumida, ele é o valor que você deixa de ganhar caso tivesse investido seu dinheiro em um ativo com o menor risco do mercado.

Para exemplificar: imagine que um amigo peça R$ 10 mil emprestados para devolver em um mês. Você empresta o dinheiro sem nenhuma cobrança adicional e depois de exatos 30 dias ele te devolve os R$ 10 mil.

Neste caso, a Selic é o seu custo de oportunidade – ou seja, se em vez de emprestar esse dinheiro você tivesse investido em um título do Tesouro Selic, teria ganhado a variação dessa taxa em um mês. Então, por mais que seu amigo tenha devolvido o mesmo valor que ele pediu emprestado, você teve um “prejuízo” equivalente ao custo de oportunidade (neste caso, a Selic do período).

No caso de um período curto, como 30 dias, a Selic é a melhor taxa para ser usada como custo de oportunidade.

Mas quando se trata de avaliar períodos mais longos, não faz sentido utilizar uma taxa como a Selic.

É exatamente o caso do investimento em ações ou em fundos imobiliários, por exemplo. Digamos que você compre uma ação com expectativa de permanecer entre 5 a 6 anos com ela. Para comparar o potencial de ganhos dos dividendos e a perspectiva de valorização das ações nesse período, o ideal é usar títulos públicos prefixados com prazo igual ou muito próximo do seu horizonte de investimento.

Ou seja, a melhor comparação seria com o Tesouro Prefixado ou o Tesouro IPCA que vencem em 2026, um prazo semelhante ao seu horizonte de investimento.

O mesmo vale para fundos imobiliários. Se você pretende investir em uma carteira de fundos imobiliários com objetivo de acumular recursos para a aposentadoria, com um horizonte de 20  ou 30 anos, seu custo de oportunidade deve ser o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2040 ou até títulos mais longos.

Essa é a única maneira de ter uma comparação justa entre o potencial de retorno do ativo de risco que você escolheu, e o retorno de um ativo livre de risco (utilizado como custo de oportunidade).

Diferença entre as taxas

A diferença entre utilizar Tesouro Selic (curtíssimo prazo) ou os outros títulos públicos com prazo longo e remuneração prefixada é grande. Atualmente, a Selic está em 2% ao ano – o que significa que o retorno bruto do Tesouro Selic é bem próximo disso.

Já os títulos prefixados estão pagando entre 4,29% ao ano (vencimento em 2023) e 7,35% a.a (vencimento em 2031). Os títulos de inflação, por sua vez, pagam entre 2,5% a.a e 4,1% a.a mais a inflação do período.

Portanto, se você utilizar o Tesouro Selic como parâmetro de custo de oportunidade ao investir em ações no longo prazo, vai ter uma comparação bastante distorcida e incorreta.

Títulos públicos

Os ativos usados como referência de custo de oportunidade devem sempre ter o menor risco de crédito (calote de pagamento) possível. Por isso, o ideal é utilizar os títulos públicos federais para esta comparação.

Para comparações de prazos curtos ou curtíssimos, como aquele primeiro exemplo do empréstimo de 30 dias, você pode utilizar o Tesouro Selic para fazer o cálculo do custo de oportunidade no período.

Já para aplicações de prazo mais longo, utilize sempre os títulos prefixados ou atrelados à inflação de prazo semelhante ao da aplicação escolhida.

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