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O que você precisa saber para Investir em Renda Fixa

01.Dezembro.2020

Os investimentos em Renda Fixa se popularizaram no Brasil nos últimos anos, o que tem prós e contras. No entanto, uma questão exige atenção, com a popularização, a simplificação sobre o funcionamento da Renda Fixa levou muitos investidores a assumirem riscos que desconheciam. 

A Renda Fixa é uma classe de ativos que remunera os investidores com uma taxa que pode ser prefixada, pós-fixada ou então pré + pós fixada.  Ao adquirir um título de renda fixa, o investidor se torna credor da instituição que emitiu aquele ativo, emprestando o seu dinheiro em troca de uma remuneração, que é o rendimento da aplicação.

Existem três tipos de emissores de títulos de renda fixa: 

1 - As instituições financeiras, que emitem títulos como o CDB (Certificado de Depósito Bancário), a LCI (Letra de Crédito Imobiliário), a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), a LC (Letra de Câmbio), entre outros.

2 – As empresas, que emitem as debêntures. Estes títulos são papéis de dívida que a companhia utiliza para financiar as suas atividades. Digamos que uma empresa de energia eólica precise de R$ 50 milhões para comprar novos equipamentos e aumentar a sua produção de energia.

Ela pode emitir estes R$ 50 milhões em debêntures e pagar uma taxa de juros para os investidores que comprarem esse papel, se comprometendo também a devolver o principal no final do prazo da aplicação.

3 – O Governo Federal, que emite os títulos públicos. Estes títulos são colocados no mercado para financiar as atividades do governo, que paga uma remuneração aos investidores em troca do “empréstimo”. Para as pessoas físicas, os títulos são negociados por meio do programa Tesouro Direto, que permite aplicações e resgates pela internet.

 

Conceitos importantes:

Taxa Selic: A Selic é a taxa básica de juros da economia. O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) define a Selic Meta a cada 45 dias. Nos investimentos de renda fixa, a Selic é um dos principais referenciais para aplicações pós-fixadas. Um exemplo é o Tesouro Selic, que paga a mesma variação da Selic aos investidores, desde que carregado até o vencimento, caso contrário, se o componente préfixado do título subir, na marcação a mercado podem ocorrer perdas (como recentemente).

 

CDI: O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) funciona como uma taxa de referência (benchmark) da renda fixa. Essa taxa oscila sempre muito próxima da Selic - Sempre que a Selic sobe, o CDI sobe. Se a Selic cair, o CDI também cai. 

A maior parte dos títulos de renda fixa pós-fixadas usam o CDI como referência para a remuneração dos investidores. Por exemplo: CDB que paga 110% do CDI, LCI que paga 90% do CDI, LC de 125% do CDI, etc.

 

Tipos de Remuneração 

Cada investimento de renda fixa oferece um tipo de rentabilidade, que pode ser prefixada, pós-fixada, ou uma mistura de ambas. Entenda cada uma delas:

Prefixada

Neste tipo de remuneração, o investidor recebe uma taxa que é predefinida no momento da compra. Por exemplo: Tesouro Prefixado 2026 que paga 8% ao ano. Neste caso, o investidor vai receber exatamente 8% ao ano até o vencimento do título, em 2026.

Já se optar por vender o título antes, ficará sujeito à variação de preço de mercado

Pós-fixada

O tipo de remuneração pós-fixada é baseada em alguma taxa de referência. A principal taxa utilizada como referencial é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que está sempre muito próxima da Selic. Isso quer dizer que o investidor não sabe exatamente qual será a sua rentabilidade, mas sabe a variação será igual ao índice de referência.

Pré + pós-fixada

A rentabilidade pré + pós-fixada é vista nos títulos Tesouro IPCA+, do Tesouro Direto, e em outras aplicações de renda fixa, principalmente as debêntures. Neste caso, o investidor recebe uma taxa pós-fixada (normalmente algum índice de inflação, como o IPCA ou o IGP-M) acrescido de uma taxa prefixada determinada na hora da compra do título.

 

Tipos de Riscos

Crédito

O risco de crédito se refere à possibilidade de o emissor não arcar com o pagamento do principal ou dos juros da aplicação. 

Isso acontece em caso de insolvência da instituição que emitiu o título de renda fixa, que por motivos financeiros deixa honrar seu compromisso e promove um calote entre os credores.

 

Liquidez

É a dificuldade do investidor em vender o papel que possui no mercado. Quanto menor for a liquidez de um investimento, significa que menos pessoas estão dispostas a comprá-lo.

 

Mercado

Este é o risco de oscilação de preços dos títulos que possuem componentes prefixados. A oscilação do preço acontece de acordo com a variação da taxa de juros. Sempre que a taxa de juros sobe, o preço do título diminui. Já quando os juros recuam, o preço do título tende a aumentar. Lembrando que isso só vale para quem vende o título antes do vencimento. Caso a aplicação seja mantida até o final, o investidor sempre recebe a taxa que foi prefixada no momento da compra.

 

Imposto de renda

Os investimentos de renda fixa, com algumas exceções*, têm a sua rentabilidade tributada com base nas seguintes alíquotas:

* Investimentos de renda fixa que possuem isenção de IR para investidores pessoa física: LCI, LCA, CRI, CRA, debêntures incentivadas.

 

FGC (Fundo Garantidor de Créditos) 

O FGC funciona como uma espécie de “seguro” para os investidores de renda fixa em caso de intervenção, liquidação ou falência de uma instituição financeira. 

O fundo garante aplicações até o limite de R$ 250 mil por CPF e instituição financeira. Se tiver mais do que esse valor para aplicar, o ideal é dividir em vários bancos emissores.

Todos os bancos brasileiros são obrigados pelo Banco Central a se associarem ao FGC.  Com isso, são os próprios bancos que administram o fundo, contribuindo com uma parcela de seus depósitos para compor o patrimônio. 

 

Veja abaixo as aplicações que são garantidas pelo FGC:

•    Poupança

•    CDB

•    Letras de Crédito do Agronegócio

•    Letras de Crédito Imobiliário

•    Letras de Câmbio

•    Letras Imobiliárias

•    Letras Hipotecárias

•    Operações Compromissadas

•    RDB

•    Depósitos à vista

 

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