insights

Personalidades do mercado: Leda Braga, a maior referĂȘncia de fundos quants do Brasil

17.Novembro.2020

“Toda estratégia de investimento que possui um processo sólido e bem definido pode ser transformada em algoritmo”. A frase é de Leda Braga, CEO da gestora Systematica Investment, especializada em fundos quantitativos e conhecida no mercado como a rainha dos fundos quantitativos.

Leda nasceu no Rio de Janeiro, mas mudou-se para Londres em 1987 para cursar engenharia mecânica na Imperial College, uma das mais importantes universidades do país. Depois de se formar, ela obteve o doutorado pela mesma instituição e atuou por três anos na área acadêmica.

Nos anos 1990, Leda trabalhou como analista da área quantitativa do JP Morgan. Durante essa passagem pelo banco de investimentos conheceu Mike Platt, que pouco tempo depois viria a fundar a gestora BlueCrest Capital Management.

Em 2001, Leda juntou-se à equipe de gestão da BlueCrest, obtendo resultados muito acima da média. Com o sucesso como gestora quantitativa, ela foi convidada em 2004 para assumir o BlueTrend Fund, maior e mais importante fundo da BlueCrest. Ela atuou nesta posição por 10 anos, consolidando sua carreira como uma das melhores gestoras de fundos quantitativos do mundo.

Em 2008, ano marcado pela crise do subprime nos EUA que se alastrou rapidamente e derrubou os mercados globais, o BlueTrend obteve retorno de 43% sob o comando de Leda, deixando a brasileira sob os holofotes de todo o mercado, apesar de sua habitual discrição.

Em janeiro de 2015, Leda decidiu fundar sua própria gestora de recursos, a Systematica Investment, com sede em Jersey, no Reino Unido. Atualmente, a Systematica possui escritórios em Genebra, Londres, Nova York, Cingapura e Xangai e conta com mais de US$ 11 bilhões sob administração.

A “rainha dos fundos quantitativos”, que raramente fala com a imprensa, participou em julho deste ano de um evento promovido pela XP Investimentos. Durante a videoconferência, ela deu alguns detalhes sobre o processo de gestão dos fundos quantitativos.

Entre as principais diferenças entre fundos que operam por meio de algoritmos e aqueles que possuem uma gestão discricionária, Leda destacou a enorme capacidade de processamento dos computadores, que conseguem analisar uma quantidade inimaginável de informações sobre os ativos.

“Os humanos só conseguem manter na cabeça entre seis e oito temas de investimento. Já um computador pode guardar quantos temas você quiser [basta programá-lo]. O sistema pode monitorar, verificar, comprar e vender quantos ativos for preciso”, afirmou.

Justamente por isso, os fundos quantitativos tendem a ser bem mais diversificados do que fundos de ações comuns. “Os quants costumam ter mais posições na carteira e por isso operam com menos convicção em cada uma delas.  Em outras palavras, nós estamos mais preparados para o efeito da média sobre as aplicações. Já em um fundo discricionário, a tendência é que o gestor tenha menos posições e só decida por uma tese de investimento quando a sua convicção for muito alta”, afirmou.

Apesar de não haver dados exatos sobre o track record (retorno histórico) de Leda Braga, ela é conhecida por entregar resultados muito acima da média do mercado desde o início da sua carreira na BlueCrest Capital.

Entre os motivos pelos quais seus fundos conseguem rendimentos elevados em momentos de grande estresse do mercado, ela destaca o fato de os algoritmos serem programados para seguirem padrões específicos.

 “Quando o mercado entra em turbulência, os fundos quantitativos seguem um processo predefinido. Justamente por isso, nós costumamos ter uma performance boa quando o mercado fica muito instável”, disse.

Apesar dos modelos matemáticos serem cada vez mais sofisticados e terem uma capacidade operacional gigantesca, Leda não acredita que eles vão substituir em definitivo toda a necessidade de atuação humana na gestão dos recursos, sendo a modelagem aplicada o grande diferencial.

“O futuro está sendo afetado pela machine learning e nós usamos esse método ostensivamente. Mas a ideia de que basta entregar dados para o sistema e esperar que ele desenvolva a estratégia não é viável”, afirmou.

Para a gestora, sempre será necessário associar a intervenção humana com a modelagem de dados para obter retornos consistentes. “Nós [gestores e analistas] precisamos avaliar que a tese de investimento faz sentido e então utilizar os métodos quantitativos para dar suporte àquela tese de investimentos”, concluiu. 

 
Banner Insights

Convex

Receba nossa Newsletter

Este site usa cookies para garantir que vocĂȘ obtenha a melhor experiĂȘncia.
Ver PolĂ­tica de Privacidade