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Petrobras: mudança na política de preços piora percepção do Risco-País

10.Fevereiro.2021

A mudança na política de preços anunciada pela Petrobras na semana passada provocou reações negativas no mercado e gerou desconfianças em relação à ingerência do governo sobre a companhia, levando analistas e investidores a questionarem a decisão.

A petrolífera anunciou na última segunda-feira (8) um aumento de 8% no preço da gasolina vendida pelas refinarias, fazendo com que o preço médio do litro do combustível aumentasse, para R$ 2,25. Já o óleo diesel aumentou 6% (R$ 0,13 por litro) e passou a custar R$ 2,24, enquanto o GLP (conhecido como gás de cozinha), teve aumento de 5% (R$ 0,14 por kg). Com o reajuste, o gás passou a custar R$ 2,91 por kg.

Três dias antes do aumento, no dia 5 de fevereiro, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, e o Presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, realizaram uma coletiva de imprensa anunciando mudanças na política de preços da companhia.  O grande problema é que essas mudanças ocorreram no primeiro semestre de 2020 e só foram anunciadas ao mercado agora.

O movimento pegou investidores de surpresa e levantou dúvidas sobre a transparência da decisão.

“A Petrobras só emitiu o fato relevante sobre o tema após a informação ter sido revelada pela agência Reuters. No documento, a estatal admitiu que alterou a política de preços de trimestral para anual ‘estritamente para fins de gestão e diagnóstico interno’ em março de 2020, mas que isso nada interfere nas decisões sobre ajuste de preços, que continuam a seguir a paridade internacional”, destacou a XP Investimentos, em relatório disponibilizado aos seus clientes.

Richard Rytenband, economista e CEO da Convex Research, afirma que a atitude da companhia reforça o sentimento de desconfiança dos investidores com o governo e piora a percepção em relação ao Risco-País.  “Temos visto uma série de movimentos que não são agradáveis e que vão na direção de populismo. É o caso do episódio da política de preços da Petrobras”, diz.

Em seu relatório, a XP destaca que a mudança feita pela Petrobras no cronograma para implementar os prêmios de paridade coloca a empresa em uma situação difícil em um momento de depreciação do Real e preços do petróleo mais altos.

“O problema é ainda mais preocupante quando se leva em conta que a Petrobras já deveria realizar reajustes significativos de preços de combustíveis para retornar à paridade de importação, sendo 20% para o diesel e 12% para a gasolina, e muito mais para manter as importações em níveis de paridade por uma janela de 12 meses”, afirmaram os analistas.

Rytenband, da Convex, também vinha alertando há algum tempo sobre a demora na correção dos preços. “Há uma percepção de que os reajustes estavam muito atrasados e que havia uma tentativa de ‘segurar’ o aumento. Essa demora na comunicação gera ruídos e  intensifica os temores sobre a volta da intervenção estatal na empresa”, comenta.

Após o episódio, a XP Investimentos decidiu rebaixar a recomendação das ações da petrolífera, passando de “compra” para “neutro”.

“Nossa mudança de recomendação reflete essencialmente a nossa visão de que existem riscos cada vez mais elevados de que a política de preços de combustíveis da Petrobras não obedeça a referências internacionais de preços de combustíveis, além de uma margem adicional para custos de importação”, afirmaram os analistas.

 

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