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Por que o IGP-M subiu 31% em um ano, enquanto o IPCA avançou 6%?

09.Abril.2021

O IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) acumula alta de 31,10% em 12 meses, de acordo com dados da FGV (Fundação Getulio Vargas). Apenas no mês de março, a variação do indicador atingiu 2,94%.

Já o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do país no varejo, acumula alta de 6,10% até março(último dado divulgado pelo IBGE). 

O que muitos se perguntam é: por que há uma diferença tão grande entre os dois índices de inflação? 

Para entender a grande discrepância entre os dois indicadores, é preciso compreender que ambos têm metodologias diferentes. No caso do IGP-M, a maior parte (60%) é composta pelo IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que reflete a variação de preços no atacado. Esses preços são bastante afetados pela variação do dólar, o que explica uma parte da forte alta no ano.

Além do IPA, IGP-M também é composto pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e pelo INCC (Índice Nacional de Construção Civil), com 30% e 10% de participação, respectivamente.

Já o IPCA reflete os preços de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias com faixa de renda entre 1 e 40 salários mínimos.

Analisando os números do IGP-M e do IPCA, é possível perceber que enquanto os preços no atacado subiram de maneira bastante acentuada nos últimos meses, a inflação no varejo também acelerou, mas com menos intensidade.  No entanto, a alta do IGP-M tende a antecipar os movimentos do varejo e pode haver uma alta mais intensa nos próximos meses.

“Por ter maior peso de preços no atacado, o IGP-M sinaliza o aumento brutal dos custos das empresas, que estão tendo suas margens de lucro reduzidas e nos últimos meses, mesmo com a atividade econômica fraca, começaram a repassar os custos ao consumidor final. E a partir disso, o IPCA começou a subir também e tende a acelerar essa dinâmica nos próximos meses”, explica Richard Rytenband, economista e CEO da Convex Research.

Mesmo com números abaixo do IGP-M, o IPCA vem apresentando resultados preocupantes. Sua variação em 12 meses já ultrapassou o teto da meta do governo e os consumidores já sentem o peso da inflação no bolso.

“Não é à toa que mesmo classificando a inflação de “temporária”, o Banco Central iniciou um novo ciclo de aperto monetário - com muito atraso e no momento que a política monetária está perdendo sua eficácia”, afirma Rytenband.

Como se proteger da inflação

Para proteger seus investimentos da corrosão pela inflação é importante ter uma carteira de investimentos diversificada, que tenha exposição a várias classes de ativos, respeitando seu perfil de risco.

Quando o investidor possui uma carteira diversificada e convexa, com ativos que estão enquadrados na etapa correta do ciclo econômico, a tendência é que seu retorno de médio e longo prazo seja mais elevado e consistente, bem acima da perda de valor pela inflação. 

É importante lembrar que ativos como ouro e bitcoin são considerados como reserva de valor e são uma proteção natural contra o excesso de liquidez na economia, que tende a provocar inflação.

Outro ponto a ser considerado é que o Tesouro IPCA+, aplicação que paga a inflação do período mais uma taxa prefixada, costuma ser apontado como uma unanimidade, mas é preciso tomar cuidado e ficar atento ao prazo de aplicação.

Esse título só é indicado como proteção contra a inflação quando o investidor tem certeza de que sua aplicação será mantida até o vencimento, que pode variar entre 6 e 35 anos. Caso contrário, a oscilação de mercado na venda antecipada pode trazer sérios prejuízos.

 
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