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Problema fiscal é “gigantesco” e risco inflacionário está longe de ser trivial, diz FGV

10.Dezembro.2020

O problema fiscal e a alta da inflação seguem no topo das preocupações dos economistas brasileiros. Em seu relatório de dezembro sobre a conjuntura econômica, a FGV (Fundação Getulio Vargas) destaca que o momento que o país enfrenta não poderia ser pior para a ocorrência de um choque inflacionário como o que estamos vivendo.

“Nosso problema fiscal é gigantesco, com o agravante de que não se percebem sinais de que serão tomadas medidas firmes de contenção das despesas públicas obrigatórias. Na medida em que a inércia em (não) agir permaneça, o risco de os efeitos do atual choque inflacionário se disseminarem pela economia será elevado”, diz o relatório.

Segundo o economista José Júlio Senna, apenas a manutenção do teto de gastos não vai resolver o problema fiscal do país. “Preservar o status quo não serve, isso não elimina as dúvidas dos agentes econômicos acerca do futuro das contas públicas. Os prêmios de risco não desaparecem e as condições financeiras continuam apertadas, dificultando a retomada da economia e do emprego”, afirma.

 Portanto, o único caminho viável para que a atividade volte a crescer envolve reduzir o avanço das despesas obrigatórias. Caso contrário, o risco de os efeitos do atual choque inflacionário se disseminarem será elevado.

 “O BC acabaria tendo de elevar a taxa Selic, movimento que seria necessário, de um lado, para impedir a volta da inflação, mas simplesmente desastroso sob o prisma das expectativas e da retomada da economia e do emprego”, aponta Senna.

 Sobre a inflação, o economista destaca que a alta dos preços ao produtor (IPA-DI) chega a 31% nos últimos doze meses, variação “extraordinariamente mais acentuada” do que a do IPCA, que subiu 3,9% no mesmo período. “Os números falam por si mesmos. Não estamos diante de um choque trivial. As pressões são fortes”, afirma.

Desaceleração da economia

O relatório da FGV aponta ainda que a redução do auxílio emergencial, em conjunto com a aceleração da inflação, as incertezas relacionadas à recuperação do mercado de trabalho e a piora recente das condições financeiras, devem afetar o ritmo da recuperação da economia brasileira no final deste ano.

“A desaceleração do ritmo de crescimento deve persistir ao longo do quarto trimestre. Dados de compras com cartão de débito e de crédito, fornecidos pela Cielo, sinalizam desaceleração do faturamento nominal nas vendas tanto de bens duráveis quanto não duráveis”, apontam as economistas Silvia Matos e Luana Miranda.

 Para 2021, a entidade manteve a projeção de crescimento de 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto), mas destacou que as incertezas persistem.

 “Uma possível segunda onda da Covid-19 ou a ausência de uma solução satisfatória para o impasse fiscal levariam as condições financeiras a um patamar ainda mais contracionista, dificultando a recuperação econômica ao longo dos próximos anos”, conclui o relatório.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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