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Situação fiscal afeta Tesouro Direto e títulos caem forte em setembro

01.Outubro.2020

 

O mês de setembro foi marcado por muitas incertezas e preocupações em relação à situação fiscal brasileira, que está cada vez mais deteriorada. O resultado desse cenário pode ser visto claramente nas perdas dos títulos públicos negociados pelo programa Tesouro Direto. 

Praticamente todos os títulos registraram desvalorização no mês passado, inclusive o Tesouro Selic, que raramente tem retorno negativo e surpreendeu muitos investidores que não sabiam dessa possibilidade. 

O Tesouro Selic com vencimento em 2023 registrou perdas de 0,08% em setembro, enquanto o título que vence em 2025 recuou 0,46%. A explicação para esse retorno negativo é que o Tesouro Selic tem um componente prefixado, que costuma ser muito próximo de zero.

No entanto, com a degradação da situação fiscal, os investidores passaram a exigir mais prêmio e essa parte prefixada disparou nos últimos meses, provocando a queda do preço dos títulos (para entender como funciona a precificação do Tesouro Selic, clique aqui e leia a matéria).

Veja abaixo a rentabilidade do Tesouro Selic em Setembro:

Tesouro IPCA e Tesouro Prefixado

As maiores quedas do mês foram vistas nos títulos de inflação. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 despencou 12,38% no mês passado, enquanto o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055 perdeu 7,52%.

Isso quer dizer que o investidor que comprou o Tesouro IPCA+ 2045 no início de setembro e resolveu vender o título no último dia do mês perdeu mais de 12% do capital aplicado. 

Essas foram as desvalorizações mais acentuadas, mas todos os títulos registraram fortes perdas sem setembro. Entre eles estão o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 (-7,28%), o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (-6,90%) e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 (-6,21%).

Assim como no caso do Tesouro Selic, a desvalorização do Tesouro IPCA também acontece por conta das incertezas em relação à situação macroeconômica do país. Com uma perspectiva maior de inflação e a degradação fiscal se acentuando, os investidores querem mais prêmio para correr o risco em aplicações tão longas.

À medida em que o prêmio aumenta, o preço dos títulos que já estão no mercado diminui, ocasionando essa queda expressiva.

O fato destes papéis terem vencimentos muito longos (alguns possuem prazo de 35 anos), faz com que a volatilidade seja ainda mais elevada e as perdas no curto prazo podem ser enormes, como as que estamos presenciando agora.

 Veja na tabela abaixo a rentabilidade de todos os títulos de inflação:

Fonte: Tesouro Direto

Na mesma linha dos demais títulos, os papéis prefixados também apresentaram forte variação negativa no mês de setembro. O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2031 recuou 3,7%, enquanto o Tesouro Prefixado 2026 desvalorizou 3,64%, como mostra a tabela a seguir:

O que fazer?

No caso do Tesouro Selic, o ideal é não utilizar esse tipo de aplicação e priorizar os CDBs na construção de uma reserva de emergência. Se possível, utilize títulos emitidos pelos grandes bancos, desde que eles paguem em torno de 100% do CDI - o que é difícil.

Se não encontrar CDBs com essa remuneração nos bancos maiores, sempre invista respeitando o limite de garantia pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). O FGC é uma espécie de “seguro” para quem investe em CDBs (e outras aplicações de renda fixa) e garante aplicações de até R$ 250 mil em caso de falência do banco emissor.

Já se você investem no Tesouro IPCA para se proteger da inflação, deve ter certeza de que irá manter aquela aplicação por anos e só fará o resgate na data estipulada. Caso contrário, é melhor optar por outro tipo de investimento.

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