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Warren Buffett e El-Erian alertam para inflação nos EUA

04.Maio.2021

A inflação nos EUA avançou 0,5% em março e ficou acima das expectativas dos analistas, segundo dados do departamento de Comércio divulgados no final do mês passado. No acumulado de 12 meses, o índice de preços ao consumidor atingiu 2,3%.

Os preços começaram a mostrar uma tendência de alta generalizada principalmente após o forte aumento da liquidez na economia em 2020. Além de todos os estímulos monetários e fiscais concedidos no ano passado, o Congresso norte-americano já aprovou uma injeção de mais US$ 1,9 trilhão na economia do país este ano.

Com isso, a pressão inflacionária vem preocupando economistas e grandes investidores. Warren Buffett, presidente da Berkshire Hathaway, demonstrou recentemente seu incômodo durante a reunião anual da Berkshire, realizada virtualmente no dia 1 de maio.

“Estamos enxergando uma inflação substancial no país. Há algo muito interessante acontecendo: os preços estão aumentando e isso está sendo aceito”, disse o megainvestidor, que também figura na lista dos homens mais ricos do mundo.

Buffett destacou que a Berkshire possui investimentos em nove empresas ligadas à construção civil e os custos não param de subir no segmento. “Os preços se movem apenas para cima, para cima e para cima. Os custos do aço, por exemplo, estão aumentando a cada dia”, criticou o bilionário.

Mohamed El-Erian, ex-CEO da gestora PIMCO e atual consultor econômico da Allianz, também se pronunciou recentemente sobre o aumento de preços. Para ele, a inflação veio para ficar e não será "transitória", como afirmou o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Em comunicado divulgado recentemente, Powell disse que a economia e o mercado de trabalho se "fortaleceram" e que, embora a inflação tenha subido, ele acredita que isso se deve a fatores temporários.

Em entrevista à CNBC, El-Erian discordou. “Os aumentos de preços estão persistindo (...)  O Fed está equivocado ao insistir que a inflação é apenas ‘transitória’”, disse o economista.

Inflação implícita recorde

Richard Rytenband, economista e CEO da Convex Research, alerta que a inflação implícita de cinco anos nos EUA atingiu o maior patamar desde 2008, ano em que a crise financeira global teve início.

Com o cenário atual, de grande liquidez monetária e um choque de oferta na economia (por conta da menor disponibilidade de produtos e serviços), o economista afirma que a “tempestade perfeita” para a inflação segue em curso e deve ser avaliada com muita cautela pelos investidores.

“As primeiras consequências da inflação já começam a ser sentidas em diversas classes de ativos, como ações e bonds, além dos índices de preços ao produtor”, afirma o economista.

Com o aumento da inflação, as taxas de juros americanas podem subir de forma abrupta, o que pode desestabilizar outros países com fragilidades macroeconômicas, caso do Brasil.

Para os investidores, é importante manter uma exposição adequada a ativos que funcionam como reserva de valor, caso do ouro e bitcoin, por exemplo.

Além disso, quando o investidor possui uma carteira diversificada e convexa, com ativos que estão enquadrados na etapa correta do ciclo econômico, a tendência é que seu retorno de médio de longo prazo seja mais elevado e consistente, bem acima da perda de valor pela inflação.

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