Brasil está entrando em estagflação, diz economista

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O Brasil está iniciando um cenário de “estagflação”, segundo o economista Heron do Carmo, professor sênior da FEA/USP.  Estagflação é o termo utilizado quando o país enfrenta alta acentuada nos principais índices de preços, aliado com um crescimento baixo ou quase nulo da economia.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,87% em agosto. Esta foi a maior taxa para um mês de agosto desde 2000. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 9,68% e de 5,67% no ano.

Já o IGP-M, que reflete com mais precisão os preços do atacado, ficou em 0,66% em agosto deste ano. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o indicador acumula taxas de inflação de 16,75% no ano e de 31,12% em 12 meses.

Ao mesmo tempo, a economia brasileira já começou a patinar.  No começo de setembro, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil recuou 0,1% no 2º trimestre de 2021, na comparação com os três meses imediatamente anteriores.

Conhecido por ser um especialista em inflação, Heron concedeu entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, destacando que além da alta do preço dos alimentos, dos combustíveis e a crise hídrica, o país ainda precisa enfrentar a crise institucional, que vem abalando a confiança dos investidores.

“Temos um cenário de incerteza internacional como consequência da pandemia, da tensão com a China e, no plano interno, uma situação de estresse institucional. Esse aumento da incerteza, da insegurança, normalmente leva a uma piora na inflação”, afirmou Heron.

Aliado a isso, a economia deverá crescer muito pouco no próximo ano, na visão do economista.

“Estamos entrando em estagflação, com a economia crescendo pouco, provavelmente na faixa de 1%, em 2022. Para os padrões pós-Plano Real, estamos com uma inflação especialmente elevada com atividade econômica comprometida. A situação é preocupante”, destacou.

Crise hídrica deve continuar afetando a inflação

Para Heron, a crise hídrica e o preço dos alimentos devem continuar afetando a alta da inflação. “Os preços de uma maneira geral e a crise hídrica têm efeito [sobre a inflação]” afirmou.

Em relatório recente a FGV destacou que a crise hídrica consolidará o setor de energia como principal vetor da inflação em 2021. “A classe de preços administrados afetará os resultados do IPCA até setembro, meses em que a taxa em doze meses permanecerá acima de 9%, sendo este o provável ápice da inflação em 2021”, afirma o relatório Boletim Macro, divulgado pela FGV IBRE.

De acordo com os economistas, a partir de outubro, a inflação poderá recuar, mas ainda assim deve fechar o ano em torno de 7,8%, bem acima do teto da meta do governo.

Importante lembrar que este relatório da FGV foi divulgado poucos dias antes do governo anunciar a inclusão da nova bandeira tarifária, chamada “escassez hídrica”.

A partir do dia 1º de setembro, o consumidor passou a pagar R$ 14,20 extras a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. A cobrança extra será feita até 30 de abril de 2022.

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