A maxidesvalorização do real de 1999 e a importância de dolarizar os investimentos

Há muitos anos o Brasil utiliza o regime de câmbio flutuante, em que o real oscila de acordo com a oferta e demanda do mercado. Mas nem sempre foi assim. No final dos anos 1990, mais especificamente entre 1995 e o começo de 1999, o governo adotou o regime de bandas cambiais: o Banco Central estipulava um piso e um teto para determinado período, e o real só podia variar dentro dessa banda em relação ao dólar.

O problema é que para o BC conseguir manter o real dentro dos limites da banda ele utilizava as reservas internacionais do país. Quando o real estava muito desvalorizado, o Banco Central vendia dólares para conter a valorização da moeda norte-americana, por exemplo.

O resultado é que as reservas começaram a diminuir fortemente, já que o BC precisava intervir constantemente para segurar a pressão do dólar. No começo de 1999 as reservas chegaram a US$ 32 bilhões, nível considerado muito baixo. Para efeito de comparação, atualmente elas estão na faixa dos US$ 350 bilhões.

“A pressão no nível de reservas internacionais, a partir da segunda semana de janeiro de 1999, foi bastante significativa, especialmente a partir do dia 12 de janeiro, com o ápice do movimento de remessas ocorrendo no dia 14”, escreve o Banco Central em um documento sobre a crise disponibilizado em seu site.

O clima político e econômico estava cada vez mais tenso. Circulavam rumores sobre uma possível revisão da dívida brasileira com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

O momento conturbado incluía também especulações sobre mudanças no Banco Central e no Ministério da Fazenda, além de quedas históricas do índice Bovespa e dos títulos soberanos do Brasil. Não bastasse tudo isso, o governo do Estado de Minas Gerais declarou moratória da sua dívida por 90 dias, causando um enorme desconforto no mercado financeiro.

As incertezas político-econômicas faziam com que os investidores ficassem cada vez mais ressabiados com a possibilidade de uma crise como a que havia acontecido com emergentes da Ásia em 1997 ou com a Rússia em 1998.

Boa parte deles começou a tirar seu dinheiro do país e o fluxo cambial (volume de divisas em dólares que entram ou saem do país) também passou a despencar.

No dia 15 de janeiro, o economista Gustavo Franco deixou a presidência do Banco Central, dando lugar a Francisco Lopes. O novo presidente do BC mudou o regime de câmbio para a chamada “banda diagonal endógena”, uma espécie de meio termo para o câmbio flutuante, que seria adotado a seguir.

Quando o câmbio passou a flutuar livremente, a perda de valor do real foi devastadora: em menos de um mês a valorização do dólar ultrapassou os 60%, passando de R$ 1,20 para quase R$ 2.  

Esta história emblemática mostra que uma série de avisos são dados antes que aconteçam fortes movimentos cambiais.

Richard Rytenband, economista e CEO da Convex Research, destaca que o câmbio tem um comportamento volátil no curto prazo, mas em um horizonte maior de tempo é possível acertar a direção dos movimentos. “Você consegue pegar os grandes ciclos se souber ler os fundamentos”, explica.

Para o economista, uma das grandes lições que esses episódios ensinam é que o investidor que não tem exposição de pelo menos uma parte do seu patrimônio ao dólar corre muito mais riscos.

“Quem não estava preparado para o que aconteceu em 1999 simplesmente perdeu metade do seu patrimônio em dólar. Se você quer fazer gerenciamento adequado de patrimônio precisa ter o domínio completo do cenário-base e das classes de ativos”, conclui Rytenband.

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